Entrevista: O médico Leonardo Silveira fala sobre a genética no Transtorno Bipolar


Entrevistamos o residente em Psiquiatria, Leonardo Silveira*, sobre o tema da próxima reunião. Confira:


GAPB – Dr. Silveira, qual é o papel da genética para o Transtorno de Humor Bipolar?

Dr. Leonardo Silveira – A genética está relacionada às causas do THB, desta forma este conhecimento poderá esclarecer a origem e auxiliar no encaminhamento de tratamentos para os pacientes.

Estudos têm esclarecido o que antes se constatava apenas através da impressão clínica. Há muito se observa que a ocorrência do THB apresenta agregados familiares. Ou seja, a chance de alguém ter a doença aumenta quando há um parente com o mesmo diagnóstico.

GAPB – Então quem tem pais com o transtorno pode ter também?

Dr. Leonardo Silveira – Não quer dizer que vai desenvolver, mas que a chance aumenta. Se um dos pais tem a doença, o filho terá entre 10 e 25% de risco para transtorno do humor. Se ambos os pais tiverem a doença, o filho terá o dobro deste risco. Relevante também é o papel do ambiente. Sabe-se que, por exemplo, história pessoal de trauma emocional pode alterar o curso do THB.

GAPB – Há algum gene que aponte a ocorrência do THB?

Dr. Leonardo Silveira – Ainda há dificuldades de se identificar um gene que determine a doença. As teorias mais recentes apontam para a possibilidade de que múltiplos genes influenciem o desenvolvimento do transtorno.

Possivelmente também o THBI e o THBII apresentem herança genética semelhante, mas não idêntica. Estudos com gêmeos têm sugerido que a genética explica entre 50 a 70% da etiologia do THB.

GAPB – E de que forma o conhecimento genético pode influenciar no tratamento do paciente de THB?

Dr. Leonardo Silveira – Os estudos sobre a genética do THB fornecem dados importantes para esclarecer como o transtorno se desenvolve. Desta forma, também se descobrem novos fármacos para o tratamento. Futuramente, estes estudos poderão auxiliar diretamente o médico ao se analisar qual fármaco trata melhor determinado paciente com determinada carga genética. Assim, um tratamento mais personalizado e eficaz poderá ser empregado. No entanto, a farmacogenética, nome deste novo campo de pesquisa, ainda não está disponível para aplicação na clínica.

Referência: Kaplan & Sadock’s Comprehensive Textbook of Psychiatry, 9a edição.

*Leonardo Silveira é médico, graduado em 2008, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008). Faz residência em Psiquiatria na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e é pesquisador no Laboratório de Psiquiatria Molecular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre/UFRGS. Aluno de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria pela UFRGS (2011), sob a orientação do Prof. Flávio Kapczinski.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s